terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O VELUDO SUBTERRÂNEO DO ROCK N' ROLL


O álbum The Velvet Underground and Nico (de 1967) é um marco na história do Rock mundial, não apenas por ser um dos melhores experimentalistas, mas por ser a estréia de uma das bandas mais controversas, midiamente falando, do início dos áureos anos 70.
A banda nos apresenta o mago Lou Reed em seu início de carreira tendo como guru e produtor do grupo ninguém mais que Andy Warhol, já naquela época, gênio e astro da Pop Art mundial. A primeira formação profissional da banda era composta por Lou Reed (vocais e guitarra), John Cale (viola elétrica, piano e celesta), Sterling Morrison (guitarra, contra-baixo elétrico e vocais de apoio) e Maureen Tucker (percurssão), porém, ter um produtor do porte midiático de Andy não poderia ser tão barato assim, e usando de seu "poder" Warhol introduz no grupo a modelo e atriz alemã Nico, ocupando ocasionalmente o vocal principal em três faixas (Femme Fatale, All Tomorrow's Parties e I'll Be Your Mirror) e fazendo vocal de apoio em Sunday Morning.
Em seu lançamento, o álbum foi um fracasso comercial. Os temas controverssos levaram o disco a ser banido de muitas lojas. Rádios se recusavam a tocar as músicas e revistas a divulgar propagandas para o álbum. O estúdio Verve, responsável pela gravação, também teve sua parcela de culpa na falha de promoção do disco. Até mesmo os críticos não deram muita atenção para o seu lançamento. Somente décadas depois o álbum viria a receber louvação unânime pela crítica mundial, sendo inclusive taxado por influenciar diretamente o rock moderno.
O álbum é notável por suas descrições de tópicos como o uso (e abuso) de drogas, prostituição, sadomasoquismo e comportamento sexual alternativo.
Também conhecido por "álbum da banana", o disco traz como capa uma pintura de Andy Warhol, retratando uma banana. As cópias iniciais do álbum convidavam o dono a "descascar lentamente e ver" (no inglês, "peel slowly and see", que viria a ser o nome de uma das coletâneas da banda). Ao descascar o adesivo, revelava-se uma banana com cor de carne.
Como tudo no mundo do Rock é dinâmico e muitas vezes tempestuoso, a relação entre Lou e Andy desandou quando ouve atraso no lançamento de um ano. Esta tensão desencadeou na demissão de Warhol por Reed, sendo substituido por Steve Sesnick. De quebra, Nico também foi expulsa do grupo, lançando em outubro de 1967 0 seu álbum de estréia: Chelsea Girl.
A verdade é que com todos os insucessos enfrentados pela banda em seu início, The Velvet Underground and Nico é até hoje, um dos álbuns mais bem conceituados do experimentalismo mundial e irá embalar muitas gerações no submundo aveludado do rock and roll.

Baixe aqui o ábum The Velvet Underground and Nico
Abaixo a famosa capa do álbum, pintada por Andy Warhol




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

The Joy of Books

The Joy of Books é um incrível stop motion realizado pelo casal Sean Ohlenkamp e Lisa Blonder Ohlenkamp. O vídeo foi gravado na livraria Type, em Toronto, com trilha de Grayson Matthews. Depois que a loja fechava, mais de vinte voluntários trabalhavam com a dupla, trocando centenas de livros de lugar para dar vida a uma belíssima dança surreal. Ao final, o vídeo nos lembra que “não existe nada como um livro de verdade”.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Destino - Uma Produção de Salvador Dalí e Walt Disney


Destino é o storyboarderd lançado pelos estúdios Disney em 2003 que teve como parceria John Hench e o pintor surrealista Salvador Dalí.
O curta-metragem foi idealizado em 1945 e durou oito meses, indo até 1946, porém a produção cessou pouco tempo depois devido a problemas financeiros enfrentados pela Walt Disney Studios durante a II Guerra Mundial. Hench compilou um teste de curta de animação de 17 segundos na esperança de reacender o interesse da Disney no projeto, mas a produção já não era considerada economicamente viável e colocaram um hiato por tempo indeterminado.
Em 1999, enquanto a Disney trabalhava no filme Fantasia 2000, o projeto vou trazido novamente a vida. A Disney Studios França, uma pequena empresa parisiense foi trazida a bordo para completar o projeto. O curta foi produzido por Blake Bloodworth e dirigido pelo animador francês Dominique Monfréy em seu primeiro papel como diretor.
Destino estreiou em 02 de junho de 2003 no Festival Internacional de Cinema de Annecy Animated em Annecy, França. O curta de seis minutos conta a história de Chronos e o amor malfadado que ele tem por uma mulher mortal. A história passa por danças do sexo feminino com o cenário surreal inspirado por pinturas de Dalí. Não há diálogo, mas a trilha sonora preenche esta lacuna com músicas do compositor mexicano Armando Dominguez.
Além dos vários prêmios recebidos, o curta ainda foi indicado ao Oscar 2003 na categoria de Melhor Curta de Animação.
Simplesmente uma mágica animação onde a clássica experiência em filmes musicais da Disney, mas com um enredo previsível, se rende ao surrealismo de Salvador Dalí.
Confira o curta. Reparem que ao final, durante os créditos, são apresentadas as obras de Dalí que inspiraram o filme.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Saturnais ou "A Invenção das Festas de Fim de Ano"


Com as festas de fim de ano próximas, é muito comum vermos (e até mesmo participarmos) de amigos ocultos, amigos chocolate e diversos outros conhecidos por aí.
Desejar que coisas boas aconteçam no próximo ano e esperar que tudo melhore no ano que vai nascer, já faz parte do pacote vindo de fábrica do ser humano, projetado por Deus (seja ele quem for). O espírito natalino paira constantemente no ar.
No meio de toda esta festividade, envolvendo presentes natalinos, champagne (ou cidra sabor maçã, para os mais humildes), roupas brancas - se for íntima, tem uma cor específica para o seu desejo de ano novo - e fogos de artifício, alguém já parou para pensar de onde tudo isso veio e o porquê?
Pois bem, a minha teoria é que toda essa cultura que nos cerca, principalmente povos ocidentais, provém da Roma Antiga, nas festas em honra ao deus Saturno (Cronos na mitologia grega) denominadas Saturnais ou Saturnálias.
Para que se familiarizem com esta festividade do século 217 a.C., aí vai um pouco da sua história.

Saturnais ou Saturnálias Romanas

As Saturnais era um festival romano em honra ao deus Saturno que ocorria no mês de dezembro, no solstício de inverno (era celebrada no dia 17 de dezembro, mas ao longo dos tempos foi alargada à semana completa, terminando a 23 de dezembro). As Saturnais tinham início com grandes banquetes e sacrifícios; os participantes tinham o hábito de saudar-se com Io Saturnália, acompanhado por doações simbólicas. Durante estes festejamentos subvertia-se a ordem social: os escravos se comportavam temporariamente como homens livres; elegia-se, à sorte, um "princeps" - uma espécie de caricatura da classe nobre - a quem se entregava todo o poder. Na verdade a conotação religiosa da festa prevalecia sobre aquela social e de "classe". O "princeps" vinha geralmente vestido com uma máscara engraçada e com cores chamativas, dentre as quais prevalecia o vermelho (a cor dos deuses). As Saturnais emulavam essa idade dourada e, durante esse período, suspendiam-se temporariamente as actividades comerciais, fechavam-se escolas, o Senado ou os tribunais, permitia-se todo o tipo de jogos de azar e apostas e era habitual oferecer-se saquinhos de nozes, velas ou pequenos bonecos de argila. O povo esperava-as ansiosamente.
A Saturnal reunia as comemorações pelo fim do ano agrário e religioso, somados também ao fim de um ano “velho” e início de outro novo, enchendo os romanos de esperanças e expectativas quando as próximas colheitas e o ano que começava. Além disso, rememoravam os tempos da Idade de Ouro, em que havia abundância e igualdade. Era uma festividade bastante comemorada, sendo uma das mais populares em Roma. Afinal, a agricultura era a atividade que estava na base dessa sociedade – meio de subsistência para os camponeses e fonte de renda para a elite.
Durante sua comemoração faziam-se sacrifícios a Saturno e a estátua do seu templo tinha, simbolicamente, fios de lã retirados dos seus pés para representar sua libertação. Depois dos sacrifícios, tinha início o banquete público, que parece ter se iniciado em 217 a. C, segundo Tito Lívio. Banquetes em que a imagem do deus Saturno era colocada junto à mesa – lectisternium – também podem ter ocorrido. Dava-se início, então, às festas e divertimentos.
Os assuntos mais sérios deveriam ser tratados na parte da manhã e à noite, durante o banquete, enquanto bebiam, deveriam falar dos assuntos mais leves e levianos. Esses dias deveriam ser de alegria. Faziam-se piadas e jogos de azar eram realizados pelas ruas, os quais eram proibidos no restante do ano.
Um costume comum na Saturnália era visitar os amigos e trocar de presentes. Os presentes eram as sigillaria, pequenas figuras de terracota ou prata ou ainda velas de cera, representando a luz na escuridão.
O que muitos autores destacam é a inversão da ordem durante a comemoração em honra a Saturno. Todos os homens, escravos ou cidadãos, ficavam em igualdade. As barreiras jurídicas eram ficticiamente abolidas. Os escravos, portanto, não precisavam trabalhar, podiam se vestir como seus senhores, participar das refeições e jogar dados. Os tribunais eram fechados e com a consequente ausência de leis, não estariam transgredindo a ordem de fato. Essa inversão de valores teria ocorrido apenas na República, segundo Airan dos Santos Borges, que completa ainda escrevendo que “os soldados travestidos escolhiam o rei das saturnais dentre os condenados através de dados. Este rei usaria as insígnias de sua dignidade como o rei dos gracejos e deboches. Após o festival o rei é morto e tudo volta à ordem.”

E você, compartilha da minha teoria ou é contrário. Seja qual for sua opinião, poste-a nos comentários e aproveite bem sua Saturnália, ou melhor dizendo, tenha um ótimo ano novo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

TEATRO E MERDA


Todo mundo que trabalha com teatro ou que está diretamente ligado a esta magnífica arte, já deve ter ouvido a expressão "Merda" sendo dita aos atores - ou até mesmo entre eles - antes de começarem a apresentação. O que grande parte do público em geral (e até mesmo alguns artistas) não deve saber, é como surgiu tal expressão.
Existe mais de uma versão sobre o tema, até mesmo uma envolvendo a figura do bardo inglês, William Shakespeare, porém a mais plausível e que acredito ser a mais correta é a seguinte.
Durante o século XIX, mais precisamente na França, o público costumava comparecer aos teatros em suas carruagens ou montados em seus cavalos e mantinham suas locomoções por ali, desde o abrir das cortinas até o final do espetáculo. Como chegavam um pouco antes das apresentações, os arredores do edifício teatral ficava habitualmente todo cheio de estrume (merda) dos animais, empestiando o ar das redondezas. Para saberem se a apresentação haveria um bom público, os atores se baseavam na quantidade de merda que havia do lado de fora: quanto mais merda, maior o público. A partir daí, as companhias passaram a desejar "merda" uns aos outros, como sinal de boa sorte, antes de cada apresentação.

Texto originalmente publicado no blog do Grupo Peripatéticos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma Breve História do Rock - Fim Na Ordem


É possível uma banda que durou apenas dois anos e meio e lançou apenas um álbum ser um verdadeiro ícone da história da música? Não estou falando dos Mamonas Assassinas, mas da banda que provocou um verdadeiro pandemônio na terra da rainha. Yes, God Save the Sex Pistols! Se não a melhor, com certeza a mais importante banda de punk rock do mundo.
Formada em Londres em 1975, os Pistols ajudaram a levar o movimento punk do Reino Unido para o mundo inteiro. A formação inicial da banda era Johnny Rotten (vocal), Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Glen Matlock (baixo), futuramente substituído por Sid Vicious no início de 1977.
O movimento punk, que é um braço do anarquismo, só poderia ter surgido mesmo em uma sociedade tão conservadora como a britânica. E isso era um deleite para a banda, que era garantia de confusão por onde passava. Seus shows sempre causavam problemas para os organizadores.
O único álbum da banda, Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, é uma pedrada na vidraça da Coroa Britânica e convocava os jovens - e a toda sociedade - a abandonarem a submissão aos governantes. Segundo Peter Price "o som representava uma caricatura do rock". No disco, dois singles avassaladores ditam o tom do grupo: God Save the Queen e Anarchy in the U.K.
Infelizmente, após o fim de uma turbulenta turnê nos Estados Unidos, em 1978, Johnny Rotten abandona a banda e anuncia o fim da mesma. Sid Vicious falece em 1979 de overdose de heroína, provocando uma série de boatos sobre o uso de drogas com o fim da banda.
Em pleno século XXI, onde adolescentes imitam os cortes de cabelos de jogadores de futebol e cantores de agro-brega, dizendo terem feito um moicano, mais do que nunca é preciso reavivar nossa memória para o verdadeiro ideal punk e rezar aos "santos Ramones" que surjam mais grupos como os Sex Pistols.


Ouça no volume máximo o hino Anarchy in the U.K.

Baixe também o álbum Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Terceira Margem do Rio


A Terceira Margem do Rio, foi um espetáculo que participei enquanto era ator do Grupo Mambembe de Música e Teatro da UFOP. No período em que estive no grupo - nos meus bons anos de universidade - participei de vários espetáculos, todos muito especiais, porém, em A Terceira Margem, vivi momentos mágicos junto a todo o elenco. Se me perguntarem por quê, não saberia explicar. Talvez, por ter sido o espetáculo do Mambembe que mais se apresentou - estreiamos em 2004 e circulamos até 2008. Talvez por termos vivenciado uma experiência ímpar, com algumas apresentações em 2005 no Vale do Jequitinhonha, onde a identificação entre atores/platéia/espetáculo foi imediata e intensa; ou talvez até mesmo por ser um espetáculo onde havia um elenco curto (quatro atores e dois músicos) e a união sempre foi uma marca registrada desta montagem. Posso até mesmo dizer, que a forma como o diretor, Flaviano Souza e Silva, conduziu os ensaios, contribuiram para este clima de descontração, que hoje se transforma em nostalgia.
O importante é que com este trabalho, conseguimos atingir o público da forma mais bonita, sincera e gratificante e por mais que o trabalho tenha se acabado, as boas lembranças ficaram em minha memória e com certeza nas de todos elenco e do público que pôde prestigiar este maravilhoso espetáculo.
Para você que não teve a oportunidade de assistir à montagem, aí vai um pouco de A Terceira Margem do Rio, e para os que tiveram o prazer de ver, nunca é o bastante relembrar.


A Terceira Margem do Rio - Ficha Técnica:

Atores:
- Jhon Weiner de Castro
- Roberta Portela
- Samir Antunes
- Waltair de Souza (William Neimar)

Músicos:
- Samuel D'Ângelo (Marcílio Lopes e Helder Silva)
- Ana Montuano (Ângelo Canjani e Saulo Campos)

Abaixo, fotos da última apresentação do espetáculo no lançamento do livro: Recriações: A Trajetória do Mambembe - Música e Teatro Itinerante, em 20/11/2009.


"E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta."
(João Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio)

Assista este e outros videos em meu canal no youtube: http://www.youtube.com/user/samirantunesilva