terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma Breve História do Rock - Fim Na Ordem


É possível uma banda que durou apenas dois anos e meio e lançou apenas um álbum ser um verdadeiro ícone da história da música? Não estou falando dos Mamonas Assassinas, mas da banda que provocou um verdadeiro pandemônio na terra da rainha. Yes, God Save the Sex Pistols! Se não a melhor, com certeza a mais importante banda de punk rock do mundo.
Formada em Londres em 1975, os Pistols ajudaram a levar o movimento punk do Reino Unido para o mundo inteiro. A formação inicial da banda era Johnny Rotten (vocal), Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Glen Matlock (baixo), futuramente substituído por Sid Vicious no início de 1977.
O movimento punk, que é um braço do anarquismo, só poderia ter surgido mesmo em uma sociedade tão conservadora como a britânica. E isso era um deleite para a banda, que era garantia de confusão por onde passava. Seus shows sempre causavam problemas para os organizadores.
O único álbum da banda, Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, é uma pedrada na vidraça da Coroa Britânica e convocava os jovens - e a toda sociedade - a abandonarem a submissão aos governantes. Segundo Peter Price "o som representava uma caricatura do rock". No disco, dois singles avassaladores ditam o tom do grupo: God Save the Queen e Anarchy in the U.K.
Infelizmente, após o fim de uma turbulenta turnê nos Estados Unidos, em 1978, Johnny Rotten abandona a banda e anuncia o fim da mesma. Sid Vicious falece em 1979 de overdose de heroína, provocando uma série de boatos sobre o uso de drogas com o fim da banda.
Em pleno século XXI, onde adolescentes imitam os cortes de cabelos de jogadores de futebol e cantores de agro-brega, dizendo terem feito um moicano, mais do que nunca é preciso reavivar nossa memória para o verdadeiro ideal punk e rezar aos "santos Ramones" que surjam mais grupos como os Sex Pistols.


Ouça no volume máximo o hino Anarchy in the U.K.

Baixe também o álbum Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Terceira Margem do Rio


A Terceira Margem do Rio, foi um espetáculo que participei enquanto era ator do Grupo Mambembe de Música e Teatro da UFOP. No período em que estive no grupo - nos meus bons anos de universidade - participei de vários espetáculos, todos muito especiais, porém, em A Terceira Margem, vivi momentos mágicos junto a todo o elenco. Se me perguntarem por quê, não saberia explicar. Talvez, por ter sido o espetáculo do Mambembe que mais se apresentou - estreiamos em 2004 e circulamos até 2008. Talvez por termos vivenciado uma experiência ímpar, com algumas apresentações em 2005 no Vale do Jequitinhonha, onde a identificação entre atores/platéia/espetáculo foi imediata e intensa; ou talvez até mesmo por ser um espetáculo onde havia um elenco curto (quatro atores e dois músicos) e a união sempre foi uma marca registrada desta montagem. Posso até mesmo dizer, que a forma como o diretor, Flaviano Souza e Silva, conduziu os ensaios, contribuiram para este clima de descontração, que hoje se transforma em nostalgia.
O importante é que com este trabalho, conseguimos atingir o público da forma mais bonita, sincera e gratificante e por mais que o trabalho tenha se acabado, as boas lembranças ficaram em minha memória e com certeza nas de todos elenco e do público que pôde prestigiar este maravilhoso espetáculo.
Para você que não teve a oportunidade de assistir à montagem, aí vai um pouco de A Terceira Margem do Rio, e para os que tiveram o prazer de ver, nunca é o bastante relembrar.


A Terceira Margem do Rio - Ficha Técnica:

Atores:
- Jhon Weiner de Castro
- Roberta Portela
- Samir Antunes
- Waltair de Souza (William Neimar)

Músicos:
- Samuel D'Ângelo (Marcílio Lopes e Helder Silva)
- Ana Montuano (Ângelo Canjani e Saulo Campos)

Abaixo, fotos da última apresentação do espetáculo no lançamento do livro: Recriações: A Trajetória do Mambembe - Música e Teatro Itinerante, em 20/11/2009.


"E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta."
(João Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio)

Assista este e outros videos em meu canal no youtube: http://www.youtube.com/user/samirantunesilva

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Manifesto Antropófago ou Quem vamos comer hoje?



"ALI VEM NOSSA COMIDA PULANDO" (V. Hans Staden - Cap. 28)

Essa frase estampa a edição número 01 da Revista de Antropofagia, criada pelos modernistas nos idos de 1928. A revista contava com colaboradores como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Plínio Salgado, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade entre outros.
A revista não tinha uma linha ideológica bem definida, mas foi criada para defender os ideais modernistas que usavam a metáfora do antropofagismo, que em bom portguês significa canibalismo, devorar a carne humana. O canibal não come a carne humana do inimigo por prazer ou gosto, ele o devora apenas quando ele possui alguma virtude que ele (o canibal) deseja ter para si. Desta maneira acredita que se alimentar de seu inimigo, obterá tal virtude.

Criado por Oswald de Andrade, o Antropofagismo Modernista consistia em se "alimentar" da cultura européia - que na época estava vivendo um período de vanguarda através do futurismo e cubismo - e degluti-la, criando assim uma arte nacional nova, livre do parnasianismo. Toda essa ideia de Oswald, culminou no seu mais maduro manifesto, o qual a Revista de Antropofagia publicou.

Ao escrever este artigo, as questões que me moveram foram: De que a arte brasileira se alimenta hoje? Quais culturas ela deglute para se recriar? Será que temos uma identidade artística nacional na atualidade? O período infértil - para não dizermos pobre - em que a arte brasileira vive é fruto de uma antropofagia errada; quero dizer, será que não estamos nos alimentando daquele inimigo que não possue virtude alguma que seja invejável e deixando "vivo" aquele que poderia nos "pré-encher" de um alimento mais salutar?

Rever a nossa história não pode ser apenas um ato saudosista e sim uma retomada a alguns valores esquecidos que podem nos acrescentar "munição" para enfrentar os desafios futuros além de nos alimentar com novos ideais e utopias que compensem lutar por eles.

Voltemos a ser antropófagos, dilaceremos nossos inimigos cheios de virtude para continuarmos a batalha alimentados de saber.

"Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago."

Leia abaixo, na íntegra, o Manifesto Antropófago:


MANIFESTO ANTROPÓFAGO


Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.


OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

* "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em Fulano lembranças de mim", in O Selvagem, de Couto Magalhães

Oswald de Andrade alude ironicamente a um episódio da história do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu Legado Para Dom Quixote

Que eu sempre fui apaixonado pela obra O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes, isso já revelei. Porém, desta minha paixão, sempre imaginei o que poderia deixar eu para a posteridade que homenagiasse essa tão grandiosa personagem da literatura mundial.
Diante de tal dilema, resolvi, junto ao Grupo Peripatéticos - o qual faço parte - , montar uma adaptação teatral da obra. Montagem essa, que vocês podem conferir maiores detalhes no blog do grupo. Ainda assim, não estava totalmente satisfeito, afinal, um espetáculo teatral não é como um filme, que você pode ver quando quiser, mesmo quando os atores não estiverem mais neste mundo. Aí me voltou a pergunta. O que deixar como homenagem a esta sensacional obra? De repente a resposta surge de uma maneira natural. Na época em que estávamos prestes a estreiar a montagem, sentimos a necessidade de uma identidade visual para o espetáculo que fosse a cara do processo de montagem. Algo que transmitisse os nossos meses de ensaio junto ao resultado final e lembrasse aqueles folhetins de cordel, algo sutilmente presente na nossa adaptação. Foi aí que eu criei este desenho. Seria a imagem ideal para estampar os convites de nosso espetáculo e ainda seria uma obra que ficaria para sempre, homenagiando esta figura tão representativa na literatura mundial e de fundamental importância na minha vida e de tantos outros artistas que, a sua maneira, também fizeram sua homenagem.
Segue aí então o meu Dom Quixote. A minha visão para esta maravilhosa obra. Uma história conhecida por muitos, mas lida por poucos.
Espero que gostem, critiquem, comentem, se divirtam e, assim como nosso Cavaleiro da Triste Figura, sonhem.









sexta-feira, 15 de abril de 2011

F.U.C.K. ME


Quantas vezes já assistimos a filmes de língua inglesa (principalmente os norte-americanos) e nos deparamos com a palavra, transformada em verbo, "FUCK" - vulgarmente traduzida na língua portuguesa por "FODER" - e suas variações (fuck you, fuck me, etc.).
Às vezes me pergunto o que seria da indústria de filmes pornográficos se não existisse essa palavra. Acho que os filmes seriam quase religiosos.
Mas já se perguntaram a origem de tal verbo? Pois então, para quem tem essa curiosidade e nunca descobriu, vou matá-la agora.
Não se sabe bem ao certo se essa resposta é 100% confiável, mas é a mais aceita e provável que existe. Sendo verdade ou não, a origem da palavra F.U.C.K. é a seguinte:
Antigamente, na Inglaterra, não se podia fazer sexo sem o consentimento do rei (a não ser que se tratasse de um membro da familia real). Quando queriam fazer amor, tinham que pedir para o monarca, que lhes entregava uma placa, que deviam colocar na frente da porta de seu quarto enquanto tivessem relações. A placa dizia “Fornification Under Consent of the King”. Em bom português: "Fornicação com o Consentimento do Rei". Essa é a origem da palavra “fuck”.


Já o dedo médio, mais conhecido como "pai de todos", em riste e que é usado como ofensa ao próximo, tem uma outra origem histórica. Assim como a palavra "fuck", não damos 100% a sua veracidade, mas aí vai:
Durante a batalha de Agincourt, na guerra dos 100 anos, Henrique V invadiu a França para reclamar o trono. Na época ele tinha os arcos longos (long bow), que eram considerados a metralhadora da época. O exército francês estava cheio de cavaleiros e tinha uma vantagem de 5/1. Antes da batalha os franceses gritavam do outro lado do campo de batalha que iriam cortar os dedos dos arqueiros ingleses, assim eles nunca mais poderiam usar o "long bow" na batalha. Devido a diversos fatores, os ingleses ganharam, apesar da grande desvantagem. Como vingança os arqueiros ingleses, vitoriosos, gritavam para os franceses remanescentes "olha meu dedo aqui, vocês nao cortaram" e mostravam o dedo médio.
Agora que já sabem, podem mandar o fuck com um dedo bem grande pra tudo aquilo que lhes incomodam.

Baixe aqui a música do ano, segundo a revista TIME, "Fuck You" de Cee-lo Green ou veja o vídeo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Uma Breve História do Rock - The Rock is... Nevermind

Surgido na década de 50, celebramos atualmente quase 60 anos de Rock N' Roll. Durante todos estes anos vários artistas celebraram este gênero musical das mais diversas formas e estilos. Para quem não sabe, o Rock mantêm diversas variações de seu estilo (punk rock, hard rock, hardcore, etc.) e de tal forma também teve os seus altos e baixos.
No fim da década de 80, o Rock parecia estar recebendo a sua última pá de cal. Já não se ouvia rock como outrora. As bandas que surgiam não possuiam mais aquele conteúdo viceral com letras de protesto, muito menos líderes dispostos a lutar contra o sistema. O verdadeiro Rock N' Roll parecia estar no fim. Foi quando do meio do movimento grunge surge o Nirvana.
Fundada no ano de 1986 o grupo só começou a obter sucesso no início da década de 90 com o lançamento de seu primeiro álbum (Bleach). Com a formação clássica do Rock (guitarra, baixo e bateria) o Nirvana era formado por Dave Grohl (bateria), hoje no Foo Fighters, Krist Novoselic (baixo) e, a mente do grupo, Kurt Cobain (guitarra e vocal). Assim como a ave Phoenix, o Rock parecia ressurgir das cinzas com todas as suas forças, pronto para reinar por mais um longo período.
Em 1991 o álbum Nevermind (o segundo álbum da banda) é lançado e cai como uma bomba na imprensa musical, dilacera a mente dos adolescentes e todos respiram aliviados: o Rock não morreu. Nevermind bate todos os recordes da época e mantém alguns até hoje. A canção que abre o disco, Smells Like Teen Spirit, está entre as 20 melhores músicas da história, além de ser considerada a segunda melhor música dos últimos 20 anos. Nevermind havia vendido até 2009 cerca de 26 milhões de cópias e teve sua capa considerada a melhor da história da música, conforme pesquisa promovida pela revista eletrônica Gigwise.
Como tudo que é bom parece durar pouco, em 1994, contando com seis álbuns na carreira, o líder da banda, Kurt Cobain, se mata com um tiro na cabeça provocando uma onda de suicídios por parte de jovens que o idolatravam. Segundo a sua autópsia, Cobain teria heroína suficiente no organismo para morrer mais três vezes. Era o fim do Nirvana e do sonho de reinado do Rock por longos anos.
A banda acaba mas o seu legado fica, assim como a pergunta: o Rock morreu? Alguns dizem que "The Rock never die" (O Rock nunca morre), outros que ele só está vivo graças aos dinossauros do Rock. O que você acha? O certo é que, outra banda como o Nirvana não teremos tão cedo.

Baixe aqui o álbum Nevermind

Assista ao clipe da música Smells Like Teen Spirit

Abaixo a capa do álbum Nevermind, considerada a melhor capa da história da música:


Carta de despedida de Kurt Cobain:

Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.
Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo. O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança. Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia. Kurt Cobain.
Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser tão mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO!



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Incentivo Não Muito Incentivador


Nos tempos de hoje, viver - ou até mesmo sobreviver - da arte se tornou o sonho de todo artista. Todos que trabalham com arte, seja ela qual for, sabem o quão pouco é valorizado o trabalho artístico em nosso país. "Ir ao teatro pra quê?" questionam pais de família; "Aprender artes não vai ajudar em nada na minha vida.", afirma a aluna; "Balet que nada! Você vai é trabalhar!" impõe a mãe; "Arte é coisa de vagabundo, de maconheiro..." decreta a sociedade. Por essas e outras, que conseguir um icentivo para desenvolver um trabalho artístico ficou tão difícil.
Com o surgimento da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (digo a do estado de Minas Gerais, pois não tenho conhecimento das outras) a vida do artista parecia estar mudando de rumo. Uma dignidade maior estava a caminho. O governo liberaria parte do ICMS das empresas para que elas incentivassem a cultura (qualquer tipo de cultura, não só a artística) no estado e dessa forma ainda, se benefeciarem com a divulgação de sua marca. Para ser beneficiado pela lei, o proponente (pessoa que deseja realizar uma atividade cultural) deve formular um projeto e enviar a Secretaria de Cultura do estado e a partir daí, torcer para que seu projeto seja aprovado. Após a aprovação, cada proponente deve entrar em contato com empresas com potencial de incentivo para que elas liberem a verba e aí é só fazer aquilo que sabe: trabalhar.
Com o tempo, os artistas foram vendo que a coisa não era bem assim. O sonho de ter um incentivo para realizar seu projeto e viver dignamente de seu trabalho estava virando um pesadelo. Descobriu-se que aprovar um projeto na lei era fácil, o difícil era conseguir a captação de recurso junto às empresas. Não basta ter um projeto aprovado, você deve convencer a empresa de que incentivar seu trabalho é bom para ela (como se já não fosse bom o fato dela ter seu nome vinculado a um projeto o qual ela, de certa forma, nem retiraria dinheiro de seus cofres). As empresas então começaram a escolher projetos que a beneficiam diretamente, que falem daquilo que ela deseja. Por exemplo, se você tem a intenção de montar um espetáculo que questione o desmatamento e o uso de substâncias poluentes por algumas indústrias, você dificilmente conseguirá incentivo para seu trabalho. Para ter certeza de que irá conseguir a tal captação, o artista precisa se "prostituir", buscando fazer projetos que exaltem a colaboração de empresas para o meio ambiente e seus projetos de sustentabilidade que, no caso de algumas, sabemos que é apenas uma fachada para ludibriar a população e o governo. Projetos já estáveis e artistas renomados, que conseguem se manter bem sem estes incentivos, passaram também a ser o alvo destas empresas para liberarem o incentivo. Não que estes artistas não mereçam receber também este apoio. Eles são reconhecidos justamente por terem trabalhado muito e merecem desfrutar disso agora. O que acontece é que nenhuma empresa parece querer vincular seu nome a um artista desconhecido e também não fazem a menor questão de conhecer o seu trabalho, para desta forma julgar se ele é digno ou não de tal apoio.
Não é difícil (pelo contrário, é muito fácil) encontrar proponentes com os olhos brilhando ao verem seu nome na lista de aprovados da lei de incentivo - eu mesmo já fui um mais de uma vez - e abaixo aquela cifra considerável para a realização de seu sonho, porém os sorrisos de alegria do artista pela aprovação de seu projeto na lei acaba sendo ofuscado pela decepção ao fim do ano ao não conseguir o tão desejado apoio. Mesmo recorrendo à empresas que trabalham exclusivamente com essa parte de captação (e recebem uma parte do projeto aprovado), o fim da maioria é perda do projeto.
Que este desabafo sirva de alerta para a classe artística, e porque não dizer cultural, que se sente prejudicada ou desmotivada a relizar seu trabalho tão fundamental, como qualquer outro, à sociedade. Todos precisam se unir para que este quadro se reverta. O artista tem de ter sua própria voz, criar a sua arte questionadora e não ser alvo de censura através de um dinheiro atravessado pelas empresas. Da mesma forma, as empresas devem começar a enxergar nos artistas parceiros e um "trampolim" para relacionar a sua empresa como incentivadora da arte e cultura no país. E, por fim, o governo precisa rever seus conceitos e reformular suas leis, para benefício da população, que é para quem ele trabalha.
Vamos manter a arte e a cultura de nosso país. Elas fazem parte de nossa educação e são também a nossa memória.

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